quinta-feira, 27 de setembro de 2012

A engenheira que tirava boas notas sem fazer noitadas - Parte III


(Link)

"Estudei muito (...), mas se calhar não tanto como as pessoas pensam."
"Mais de metade do trabalho e estudo faz-se nas aulas."
"...nunca estudar à noite em véspera de exame, apenas descansar."


Terceiro artigo, de uma série de quatro, dedicado aos factores decisivos para o sucesso académico.

Familia

Este é o factor mais menosprezado para o sucesso académico. É verdade que um jovem pode singrar só através da sua força de vontade e com base nos objectivos estabelecidos, sem para isso ter um incentivo da familia. Mas o apoio familiar é, a meu ver, o principal pilar na evolução até à vida adulta.

Na realidade em que vivemos, as sensações/percepções que chegam às crianças podem ser excessivas e descontroladas pela sua fraca capacidade de filtrar informação. Cabe aos pais, trabalhar os estimulos que chegam à criança, determinar pontos fortes e fracos na maneira como ela os assimila e assim orientá-la melhor. É necessário que os pais não forcem comportamentos, mas que aprendam a delapidar a pessoa que estão a educar. O que nós aprendemos em "casa", morre connosco. São lições de vida que se aplicam a qualquer contexto: social, profissional, comportamental ou emocional. E nessa vertente, uma pessoa atingirá mais rapidamente os seus objectivos, quão mais fortes forem os alicerces que a familia "construiu" para si.

A familia, ao saber estimular a mente, atribui regras, define horários, ajuda a ultrapassar obstáculos, acabando por definir o "musculo mental" que permite aos jovens conseguirem orientar a sua vida académica da melhor forma. Um jovem desprovido destes conceitos, irá encarar a escola como uma "prisão", em que o efeito castrador dos horários e tarefas que lhe são atribuidos apenas conduzirão ao desinteresse e possível abandono.

A Inês teve a sorte da familia a saber orientar e estimular. São poucos os casos em que a transmissão dos valores correctos não dá frutos.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

A engenheira que tirava boas notas sem fazer noitadas - Parte II



(Link)

"Estudei muito (...), mas se calhar não tanto como as pessoas pensam."
"Mais de metade do trabalho e estudo faz-se nas aulas."
"...nunca estudar à noite em véspera de exame, apenas descansar."


Segundo artigo, de uma série de quatro, dedicado aos factores decisivos para o sucesso académico.


Cultura:

Toda a nossa aprendizagem resulta de uma combinação fantástica entre aquilo que o meio envolvente nos dá e forma como nós o absorvemos. A meu ver, ninguém nasce mais inteligente, mais educado, mais proactivo - tudo isso é proveniente da reacção a estímulos que a cultura nos proporciona. Estímulos de natureza pessoal, profissional ou comportamental. Infelizmente em Portugal, ainda estamos uns furos abaixo daquilo que seriam estímulos profissionais ideais. Ainda vivemos um pouco na era da "chico-espertiçe", do "deixa andar", do "se hoje dá futebol, esqueço tudo o resto".

Inês Macedo, de 23 anos, teve a hipótese de ter uma boa orientação da familia e do Liceu Francês, que lhe permitiram ver o mundo com outros olhos. Desde cedo foi devidamente orientada e não caiu no marasmo em que alguns (a maioria) se encontram. Temos uma cultura tipica de um povo do Sul da Europa, muito sangue quente na guelra, emotivo por demais e sem grande capacidade de planear a longo prazo. Aliás, esta fraca capacidade de ver o mundo com uma visão macro e saber planear a longo prazo é um dois maiores factores do insucesso português. Aliás comprova-se bem que qualquer emigrante português, torna-se um excelente profissional (a maioria) e com uma capacidade acima da média no pais onde se encontra. Intrinsecamente, temos uma grande capacidade de adaptação e resolução de problemas, mas parece que essa capacidade só aparece em nós quando passamos para lá de Badajoz.

É apanágio do português o dinheiro fácil, o delegar responsabilidades, o falar mal dos outros sem olhar para si próprio. Somos um povo em constante revolução, mais focado em denegrir o esforço do outro do que em nós próprios. E estes valores transitam de pai para filho, entre amigos, etc. E é com esta ideologia que as crianças abordam a escola. Apresentam-se como jovens desprovidos de valores, sem dar importância ao conhecimento, pois existe de certeza uma maneira fácil de ganhar a vida. Alguns têm a sorte do "papá" os colocar na SONAE aos 18 anos e outros vão conseguir o dinheiro fácil no MacDonalds, abandonando a escola no 8º ano. Infelizmente também há a realidade daqueles que até se esforçam (minoria), mas que o mercado de trabalho não os consegue absorver, devido à escassez de oportunidades na respectiva área - mas isso fica para outra crónica.

A juntar-se a estes fracos valores, vemos para onde os actuais media nos guiam. Hoje em dia, os jovens dão mais importância ao Facebook para partilharem videos e fotos, vêem na Casa dos Segredos serviço publico de televisão e olham para o telemóvel como o irmão que nunca tiveram. Organizam a semana pensando na 6ª feira, onde se irão reunir para beber mais 3 ou 300 cervejas, até ao coma alcoólico começar a aparecer. Partilham informação pelas redes sociais, em que 90% são fotos de festas da Noite, ou videos de acidentes espectaculares. O jovem  português assimila as redes sociais da mesma maneira que um bebé assimila um brinquedo novo: no inicio é optimo e brinca com ele a toda hora, mas com o tempo espera-se que ganhe maturidade e evolua para outros brinquedos.

E perguntam-se: mas a culpa desde comportamento, é de quem? Difícil apurar um culpado. Podem ser os pais que não educam, os amigos que "desencaminham", os gigantes tecnológicos que "obrigam" as pessoas a isolarem-se cada vez mais do mundo real, para viveram do virtual. Os jovens têm uma grande necessidade de entrosamento com os demais e este comportamento reflecte um comportamento socialmente aceite. De facto, o Facebook não lhe garante um futuro melhor, mas permite-lhe não ser alvo de rejeição.

Aqui nós, adultos, temos de fazer uma introspecção sobre as gerações que andamos a formar e de que forma este potêncial anda a ser desperdiçado. Temos de partilhar um conjunto de valores que determinem pessoas mais capazes e mostrar-lhe que o esforço compensa. Que vale a pena encarar a vida como uma grande curva de aprendizagem. Alguns ainda não percebem esta mensagem. A Inês percebeu. Vejam o que ela conseguiu.


A engenheira que tirava boas notas sem fazer noitadas - Parte I



 (Link)

"Estudei muito (...), mas se calhar não tanto como as pessoas pensam."
"Mais de metade do trabalho e estudo faz-se nas aulas."
"...nunca estudar à noite em véspera de exame, apenas descansar."

Parecem afirmações básicas e que farão sentido a qualquer um. Mas porque razão os jovens de hoje não seguem linha orientadoras tão simples quanto estas? Inês Macedo, de 23 anos, cedo percebeu que tem de conjugar uma série de factores para conseguir atingir o sucesso: Sociedade,  CulturaFamilia e Vontade Própria. Hoje vou iniciar uma série de quatro artigos sobre estas temáticas.

Sociedade

Ex-aluna do liceu Francês, Inês desde cedo soube adaptar a sua realidade a provas diárias de validação de conhecimentos. Para mim este é um dos pontos fulcrais hoje em dia: falta de estruturação da aprendizagem nas escolas publicas. O Ministério da Educação há muito que aplica a táctica do "despejar conhecimento avulso", sem definir metodologias de ensino e avaliação coerentes (quantidade em vez de qualidade). Para além disto, a complexidade da avaliação e a escassez da sua periodicidade apenas promovem o memory dump por parte dos alunos. 

Áreas como Direito, Biologia ou Filosofia, que hoje em dia são caracterizadas como áreas do decoranço, poderiam ser complementadas com mais avaliações intermédias (uma por semana), para cimentar o verdadeiro conhecimento. Por norma, aplica-se a teoria de que o exame final de uma cadeira deve avaliar todos os conhecimentos aprendidos. Não concordo. Concordo com a divisão do periodo lectivo em 3/4 blocos e cada um ter o seu exame responsável. Não me faz sentido abusar da capacidade de memória do aluno em áreas extremamente conceptuais/teóricas, que foram aprendidas avulso há 5 meses atrás, quando na vida profissional, até o melhor dos Advogados/Biólogos/Filósofos há-de consultar o Google ou um livro em caso de dúvida. 

Faria muito mais sentido cimentar conhecimentos sempre com casos práticos e determinar um periodo de avaliação mais curto, de modo a dar capacidade ao aluno de estruturar de forma critica aquilo que aprendeu e não limitar-se a decorar o conteúdo. Hoje em dia, a maioria dos alunos limita-se a sobreviver à faculdade, preocupando-se em "decorar para passar". Isto meus amigos, não é adquirir conhecimento, pois quando educamos a nossa memória a carregar grandes quantidades de informação num curto espaço de tempo, é previsto que ela limpe tudo passados poucos dias. 

Esta é uma das principais razões para termos hoje em dia tão maus profissionais. Um aluno excelente, que viveu do decoranço, não dará um bom profissional. O grau de senioridade que atingimos no nosso local de trabalho provem essencialmente de situações/conceitos com que lidamos diariamente e que estimulam a memoria a longo-prazo. Um bom exemplo disso é o facto de hoje em dia a maioria dos alunos que passaram pela faculdade não serem capazes de fazer, de cabeça, simples contas de dividir e multiplicar. Nestas alturas, a calculadora torna-se o seu melhor amigo. Se formos perguntar ao "Sr. Manel lá da merceeria", ficamos espantados com a rapidez com que ele o faz, enquanto nos corta o fiambre.

Como tal, considero que o ensino do Liceu Francês em que a Inês foi incluida, deu-lhe um grande  musculo mental para lidar com qualquer situação que lhe coloquemos à frente. Exames diários nunca mataram ninguém e estimulam a nossa capacidade de aprendizagem. Para não falar no facto de que os professores ficam com a vida facilitada, tanto no programa lectivo que têm para cumprir, como na tarefa de identificar dificuldades na aprendizagem de cada aluno. Não pretendo entrar no debate do "Privado x Publico", mas parece-me evidente que algumas metodologias de estudo do sector privado metem a um canto o que o nosso Ministério da Educação promove.

PS - E no futuro, porque não a implementação de um sistema de ensino baseado nos principios da Khan Academy? Fiquei fã da simplicidade do conceito e nas mais-valias que trazem a alunos com maiores dificuldades de aprendizagem. 

Vejam o video que vale muito a pena: http://www.youtube.com/watch?v=zxJgPHM5NYI


Continua...

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

iPhone = Felicidade Enlatada?



Torna-se ridículo o buzz gerado por detrás destas noticias. Cada novo lançamento da Apple é o equivalente ao "Messias a andar sobre as águas"... Toda a gente faz fila para ver (e comprar). A sociedade de consumo atinge patamares ridículos e inaceitáveis nos dias que correm. Todos temem a crise, mas de forma ponderada. As pessoas gerem as suas economias não de uma perspectiva racional e de longo prazo, mas emotiva e de curto prazo. 

Os gigantes tecnológicos e de marketing andam de mãos dadas, tentando drogar as pessoas com novidades tecnológicas que de novidade pouco ou nada acrescentam às nossas vidas (pelo menos ao ritmo a que são lançadas) mas que apenas servem para inebriar o mais influenciável dos espíritos, que espera pela chegada do novo gadget como se este fosse o elemento em falta nas suas vidas.

Mas como costumo dizer, são prioridades. Conheço pessoas que passam o tempo criticando o excessivo endividamento com bens desnecessários, mas dão 125€ (por cabeça) para ver os U2 em Coimbra. Outros que refilam pelo aumento do preço dos combustíveis, mas adquiriram recentemente Mercedes topo de gama, que são autênticas esponjas. Como digo... prioridades. No caso do iPhone, é apenas uma campanha de marketing bem orientada, fazendo-se valer deste ser o último produto da Apple em que Steve Jobs esteve envolvido com afinco. Reconheço méritos enormes ao homem que Steve Jobs foi e ao legado que deixou. Mas não alinho em evangelizações de gadgets. Há limites.

Hoje em dia, o valor pago por um iPhone determina o status social. Põe as pessoas num patamar de exclusividade perante os outros, dando a ilusão que fazem parte de uma elite que é determinativa de quem é o "verdadeiro" intelectual da sociedade moderna. De quem conhece outros mundos, longe do alcance do comum mortal. Ou seja, quem compra um iPhone não compra só o aparelho... compra a felicidade associada (numa latinha muito bonita e de cantos arredondados). Mas lembrem-se, esta felicidade não dura para sempre,pois a realidade volta sempre para nos apanhar. E quando ela volta, vocês têm apenas duas opções: ou ganham novos valores humanos e sociais ou então... compram um Iphone6.






sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Fernando Ulrich - A Hipocrisia em pessoa

Fernando Ulrich é impressionante. A maneira "competente" como nos tenta ludibriar a todos com estas declarações, chega-nos a fazer pensar que é um homem honesto.


Então vamos lá decompor estas palavras:



O que ele diz: "Deviam deixar as questões políticas aos políticos, por isso é que os elegemos."



O que ele devia dizer: "Vamos lá travar esta crise politica, pois eu preciso de serenidade para os meus amigalhaços lá do governo criarem-me medidas o mais lucrativas possível para o BPI."



O que ele dizUma empresa que esteja razoável, mas com dificuldade em vender os seus produtos, pode aproveitar para baixar os preços."



O que ele devia dizer: "Uma empresa que esteja razoável sabe que a medio-longo prazo irá afundar-se ainda mais. Mas o que interessa aqui é que, ao baixar a TSU, estes badamecos consigam um pé-de-meia suficiente para pagar as obrigações que têm com o meu banco."



O que ele diz: "Seria pedagógico saber o que as outras empresas vão fazer com a descida da TSU."



O que ele devia dizer: "Vamos lá por ordem na casa, porque senão a medida não passa. Portanto senhores dos grandes grupos económicos, como PT e EDP, digam lá aos carneiros que vocês conseguem gerar pelo menos 30 empregos cada um, a ver se a malta se cala. Ah e não piem muito alto, pois eu empresto-vos dinheiro!!"



O que ele diz: "O ponto mais importante de todos, e que tem sido muito importante para Portugal, é o da coesão social."


O que ele devia dizer: "Epa, mentalizem-se que não me interessa se os parceiros sociais foram consultados ou não antes da medida! O importante é manter a coesão no sector bancário, porque senão houver coesão e as medidas actuais começarem a falhar, espera-vos mais uma subida no IVA, enquanto eu compro mais um Jaguar..."


O que ele diz: "O rendimento dos trabalhadores no sector privado, que é a maior parte da população portuguesa, (...) e obviamente isso tem um impacto na contracção da procura interna, sendo óbvio que torna a vida mais difícil para as empresas que vivem essencialmente do mercado interno."


O que ele devia dizer: "Epa... Temos pena. Fabricas galos de Barcelos? Aposta em Espanha. Para mim o crescimento interno é só nas acções do BPI!"

O que ele diz: "Com o dinheiro poupado (...) investir em melhorias da qualidade de serviço, como renovações de balcões."


O que ele devia dizer: "Onde está a dúvida? Achavam que eu ia preparar o dinheiro para financiar novos negócios em Portugal e estimular a economia? Não sejam parvos... O meu objectivo é ter tantos balcões pelo pais como a CGD! Ainda agora abri três em Santa Comba Dão!"


O que ele diz: "Estruturalmente, o banco daqui a três anos deveria ter menos pessoas do que tem hoje, mas, tendo um ganho suplementar, entendemos que temos capacidade de integrar pessoas."


O que ele devia dizer: "Bolas, então vocês não viram as noticias? Nós e o Estado somos unha-e-carne! Este ganho suplementar vai-nos permitir manter os salários principescos que ganhamos!"



quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Link Facebook

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Chico-Espertismo

"Chico-esperto

Indivíduo que procura o beneficio ou a vantagem pessoal, mesmo que para tal prejudique alguém.
"

Esta definição vem num qualquer dicionário de lingua portuguesa, mas peca por escassa. Antes demais é necessário perceber que este tipo de comportamento leva tempo a ser construido, pois as bases da sociedade actual que nos são transmitidas pelos nossos pais e pela escola, são contrárias a estas atitudes. A questão que se coloca inicialmente é: o que leva uma pessoa a tornar-se "chica-esperta"?

Por norma o "chico-esperto" é alguém inseguro, que intermitentemente põe em causa as suas próprias capacidades, mas tem uma capacidade imaginativa de atenuar esse facto com simples subterfugios (traduzindo: "Senão consigo atingir aquele patamar por mérito, tenho de pensar noutra via para o fazer. Uma via rápida e simples.").

É preciso lembrar que o povo português sempre foi conhecido por ser desenrascado. E lá fora, principalmente em sectores como a Engenharia, o "desenrascanço" acaba por ser visto como um "musculo mental" que permite à pessoa resolver qualquer situação. No entanto, o "desenrascanço" anda de braço dado com o "chico-espertimo". Ora vejamos este pequeno exemplo:
Nos anos 60/70, ter alguma escolaridade abria portas para o futuro. Nos anos 80/90, ter chegado até à faculdade era um feito grandioso, abrindo um vasto leque de oportunidades para as "dezenas" de licenciados que este pais tinha. Hoje em dia, que não tem um mestrado não é nada (segundo os Empregadores claro...Tenho uma opinião diferente que fica para outra crónica). Logo um individuo normal passa em média 18 anos da sua vida a estudar. 18 anos. É obra. São 6570 dias a adquirir conhecimento de forma avulsa, com o intuito de chegar ao fim da linha e ter um emprego digno, interessante e com perspectivas futuras...

Reality check:  Alguns, passados 15 anos, saem directos da sala de aula para a cozinha do MacDonalds. E então começam as questões: "Porque andei eu a estudar anos e anos quando agora não tenho oportunidades? Como é que posso olhar para o tecido politico deste pais e ver ministros com licenciaturas facilitadas e eu esfolei-me todo para tirar um misero 12 a Matemática?".

Quando começam as questões começa o problema. Porque até este momento o individuo é justo e acredita numa sociedade que promove o mérito e recompensa os esforçados. Até surgirem os exemplos "negros" deste pais que tiram qualquer credibilidade a este tipo de sociedade. É nesta fase que o individuo tem duas hipóteses: dedica o resto da sua vida em esforço constante, a remar contra a maré e sempre tentando definir uma sociedade melhor ou.... junta-se a "eles". E o "junta-se a eles" pode ser um ingresso numa JSD ou JS, uma troca de favores com o Vereador mais próximo, o ir para a cama com o Administrador - chamem-lhe o que quiserem. A partir desta altura o individuo abdica dos valores morais que adquiriu na escola e em casa e partilha a deplorável vivência daqueles que o rodeiam.

E quando um individuo entra neste esquema abdica de outra coisa também: capacidade de aprendizagem. Neste momento, toda a evolução social/profissional decorre sem sobressaltos e sem necessidade de investir tempo em novos conhecimentos. O individuo estagna. Estagna até ao dia em que transitar para outra nível social, como consequência de um favor politico ou económico. Estagna até estar a insistir na mesma politica/filosofia de vida e não perceber onde ela falha. Estagna, até não poder mais. E como nós sabemos, quando perdemos a capacidade de aprender, perdemos o estimulo pra melhorar.

E sabem o que mete mais nojo? Não é aquele que é chico-esperto há muitos anos e que anda a causar prejuízo aos outros. São os wannabies do "chico-espertismo". São aquela pequena corja, que nem criatividade mental tem para ser "chica-esperta", mas que rasteja pelo chão na esperança de um "chico-esperto" de topo tropece neles. Esses são o nivel mais baixo da podridão da nossa sociedade. São os falsos moralistas que dão a cara para criticar esses comportamentos, mas que lá no fundo só esperam uma oportunidade para entrar no circulo secreto. Por norma, estes ficaram-se pela Licenciatura do "Chico-Espertimo", não tiraram Mestrado. Normalmente não sobrevivem muito tempo neste mundo da troca de favores e acabam por ser descobertos com relativa facilidade. E não há nada mais triste do que ver um incompetente, com conhecimento estagnado, a tentar recuperar a sua posição social/profissional por via do mérito (essa palavra que ouvem pela primeira vez). A sério, parece uma criança a tentar pôr-se de pé, pela primeira vez.

Se virmos isto de um prisma meramente politico, os problemas estão nas camadas jovens dos partidos e nas respectivas intimidades com as universidades. É ai que devemos reflectir se o nosso ensino universitário não estará a dar uma disciplina comum a todos: Introdução ao Poder. Todas, mas mesmo todas as situações depesistas que vemos hoje em dia em Portugal dizem respeito a um favor pago a alguém. Do estilo: "Eu financiei a tua carreira até seres Primeiro-Ministro e agora tu dás-me uma parceria Publico-Privada". Sempre foi assim. Mas não deve continuar a ser. Temos de começar a cultivar a mentalidade nos mais novos que este comportamento "chico-espertista" não leva a lado nenhum... É uma questão matemática - com "chico-espertismo" geramos 10 oportunidades de uma carreira fantástica. Com pessoas sérias e governos bem estruturados, geramos 100.

E não tentem mudar o mundo de uma só vez. Comecem a trabalhar os "pequenos" comportamentos.

  • Não sejam como aquele "chico-esperto" de Cascais que trabalha em Lisboa. Esse "caramelo" que se levanta às 8h40, come em 5min e gasta os outros 10min em ultrapassagens perigosas na A5 para chegar a horas ao trabalho;
  • Não sejam como aquele "chico-esperto" que acha por bem denegrir um erro do colega em frente ao chefe, quando poderia ter chamado o "errado" à parte e pedagogicamente terem esclarecido o assunto;
  • Não sejam como aquele "chico-esperto" que trabalha por turnos, mas deixa tudo para a última da hora, de modo a fazer o menos possível e o próximo arcar com as consequências;
  • Não sejam como aquele "chico-esperto" que se enfia nas filas à frente de toda a gente;
  • Não sejam como aquele "chico-esperto" que assume os louros do outro;
  • Não sejam como aquele "chico-esperto" que critica, critica, critica, mas acções nem vê-las;
  • Não sejam individuos que vivem da mentira, da batota, do facilitismo;

Portanto meus Amigos, assimilem bem os conceitos de uma Meritocracia e vão ver que o Nosso pais será bem melhor!

Bem Vindos!

Bem vindos Meus Caros,

a este pequeno espaço de desabafo. Por aqui se irá falar de Politica, Economia, Sociedade, Religião, etc, etc, da forma mais simples possível. E será simples porque não tenho bases académicas ou profissionais para discutir em pormenor os temas referidos anteriormente. Simplesmente, sou um cidadão atento, que muitas vezes tem necessidade de desabafar contra tantas coisas erradas que vê a sua volta.

Não espero mudar completamente a mentalidade das pessoas, mas espero que todos os textos as deixem a reflectir sobre o Mundo em que vivem e como é que o podem tornar melhor.

Boas leituras!