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"Estudei muito (...), mas se calhar não tanto como as pessoas pensam."
"Mais de metade do trabalho e estudo faz-se nas aulas."
"...nunca estudar à noite em véspera de exame, apenas descansar."
Segundo artigo, de uma série de quatro, dedicado aos factores decisivos para o sucesso académico.
Cultura:
Toda a nossa aprendizagem resulta de uma combinação fantástica entre aquilo que o meio envolvente nos dá e forma como nós o absorvemos. A meu ver, ninguém nasce mais inteligente, mais educado, mais proactivo - tudo isso é proveniente da reacção a estímulos que a cultura nos proporciona. Estímulos de natureza pessoal, profissional ou comportamental. Infelizmente em Portugal, ainda estamos uns furos abaixo daquilo que seriam estímulos profissionais ideais. Ainda vivemos um pouco na era da "chico-espertiçe", do "deixa andar", do "se hoje dá futebol, esqueço tudo o resto".
Inês Macedo, de 23 anos, teve a hipótese de ter uma boa orientação da familia e do Liceu Francês, que lhe permitiram ver o mundo com outros olhos. Desde cedo foi devidamente orientada e não caiu no marasmo em que alguns (a maioria) se encontram. Temos uma cultura tipica de um povo do Sul da Europa, muito sangue quente na guelra, emotivo por demais e sem grande capacidade de planear a longo prazo. Aliás, esta fraca capacidade de ver o mundo com uma visão macro e saber planear a longo prazo é um dois maiores factores do insucesso português. Aliás comprova-se bem que qualquer emigrante português, torna-se um excelente profissional (a maioria) e com uma capacidade acima da média no pais onde se encontra. Intrinsecamente, temos uma grande capacidade de adaptação e resolução de problemas, mas parece que essa capacidade só aparece em nós quando passamos para lá de Badajoz.
É apanágio do português o dinheiro fácil, o delegar responsabilidades, o falar mal dos outros sem olhar para si próprio. Somos um povo em constante revolução, mais focado em denegrir o esforço do outro do que em nós próprios. E estes valores transitam de pai para filho, entre amigos, etc. E é com esta ideologia que as crianças abordam a escola. Apresentam-se como jovens desprovidos de valores, sem dar importância ao conhecimento, pois existe de certeza uma maneira fácil de ganhar a vida. Alguns têm a sorte do "papá" os colocar na SONAE aos 18 anos e outros vão conseguir o dinheiro fácil no MacDonalds, abandonando a escola no 8º ano. Infelizmente também há a realidade daqueles que até se esforçam (minoria), mas que o mercado de trabalho não os consegue absorver, devido à escassez de oportunidades na respectiva área - mas isso fica para outra crónica.
A juntar-se a estes fracos valores, vemos para onde os actuais media nos guiam. Hoje em dia, os jovens dão mais importância ao Facebook para partilharem videos e fotos, vêem na Casa dos Segredos serviço publico de televisão e olham para o telemóvel como o irmão que nunca tiveram. Organizam a semana pensando na 6ª feira, onde se irão reunir para beber mais 3 ou 300 cervejas, até ao coma alcoólico começar a aparecer. Partilham informação pelas redes sociais, em que 90% são fotos de festas da Noite, ou videos de acidentes espectaculares. O jovem português assimila as redes sociais da mesma maneira que um bebé assimila um brinquedo novo: no inicio é optimo e brinca com ele a toda hora, mas com o tempo espera-se que ganhe maturidade e evolua para outros brinquedos.
E perguntam-se: mas a culpa desde comportamento, é de quem? Difícil apurar um culpado. Podem ser os pais que não educam, os amigos que "desencaminham", os gigantes tecnológicos que "obrigam" as pessoas a isolarem-se cada vez mais do mundo real, para viveram do virtual. Os jovens têm uma grande necessidade de entrosamento com os demais e este comportamento reflecte um comportamento socialmente aceite. De facto, o Facebook não lhe garante um futuro melhor, mas permite-lhe não ser alvo de rejeição.
Aqui nós, adultos, temos de fazer uma introspecção sobre as gerações que andamos a formar e de que forma este potêncial anda a ser desperdiçado. Temos de partilhar um conjunto de valores que determinem pessoas mais capazes e mostrar-lhe que o esforço compensa. Que vale a pena encarar a vida como uma grande curva de aprendizagem. Alguns ainda não percebem esta mensagem. A Inês percebeu. Vejam o que ela conseguiu.
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