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"Estudei muito (...), mas se calhar não tanto como as pessoas pensam."
"Mais de metade do trabalho e estudo faz-se nas aulas."
"...nunca estudar à noite em véspera de exame, apenas descansar."
Parecem afirmações básicas e que farão sentido a qualquer um. Mas porque razão os jovens de hoje não seguem linha orientadoras tão simples quanto estas? Inês Macedo, de 23 anos, cedo percebeu que tem de conjugar uma série de factores para conseguir atingir o sucesso: Sociedade, Cultura, Familia e Vontade Própria. Hoje vou iniciar uma série de quatro artigos sobre estas temáticas.
Sociedade
Ex-aluna do liceu Francês, Inês desde cedo soube adaptar a sua realidade a provas diárias de validação de conhecimentos. Para mim este é um dos pontos fulcrais hoje em dia: falta de estruturação da aprendizagem nas escolas publicas. O Ministério da Educação há muito que aplica a táctica do "despejar conhecimento avulso", sem definir metodologias de ensino e avaliação coerentes (quantidade em vez de qualidade). Para além disto, a complexidade da avaliação e a escassez da sua periodicidade apenas promovem o memory dump por parte dos alunos.
Áreas como Direito, Biologia ou Filosofia, que hoje em dia são caracterizadas como áreas do decoranço, poderiam ser complementadas com mais avaliações intermédias (uma por semana), para cimentar o verdadeiro conhecimento. Por norma, aplica-se a teoria de que o exame final de uma cadeira deve avaliar todos os conhecimentos aprendidos. Não concordo. Concordo com a divisão do periodo lectivo em 3/4 blocos e cada um ter o seu exame responsável. Não me faz sentido abusar da capacidade de memória do aluno em áreas extremamente conceptuais/teóricas, que foram aprendidas avulso há 5 meses atrás, quando na vida profissional, até o melhor dos Advogados/Biólogos/Filósofos há-de consultar o Google ou um livro em caso de dúvida.
Faria muito mais sentido cimentar conhecimentos sempre com casos práticos e determinar um periodo de avaliação mais curto, de modo a dar capacidade ao aluno de estruturar de forma critica aquilo que aprendeu e não limitar-se a decorar o conteúdo. Hoje em dia, a maioria dos alunos limita-se a sobreviver à faculdade, preocupando-se em "decorar para passar". Isto meus amigos, não é adquirir conhecimento, pois quando educamos a nossa memória a carregar grandes quantidades de informação num curto espaço de tempo, é previsto que ela limpe tudo passados poucos dias.
Esta é uma das principais razões para termos hoje em dia tão maus profissionais. Um aluno excelente, que viveu do decoranço, não dará um bom profissional. O grau de senioridade que atingimos no nosso local de trabalho provem essencialmente de situações/conceitos com que lidamos diariamente e que estimulam a memoria a longo-prazo. Um bom exemplo disso é o facto de hoje em dia a maioria dos alunos que passaram pela faculdade não serem capazes de fazer, de cabeça, simples contas de dividir e multiplicar. Nestas alturas, a calculadora torna-se o seu melhor amigo. Se formos perguntar ao "Sr. Manel lá da merceeria", ficamos espantados com a rapidez com que ele o faz, enquanto nos corta o fiambre.
Como tal, considero que o ensino do Liceu Francês em que a Inês foi incluida, deu-lhe um grande musculo mental para lidar com qualquer situação que lhe coloquemos à frente. Exames diários nunca mataram ninguém e estimulam a nossa capacidade de aprendizagem. Para não falar no facto de que os professores ficam com a vida facilitada, tanto no programa lectivo que têm para cumprir, como na tarefa de identificar dificuldades na aprendizagem de cada aluno. Não pretendo entrar no debate do "Privado x Publico", mas parece-me evidente que algumas metodologias de estudo do sector privado metem a um canto o que o nosso Ministério da Educação promove.
PS - E no futuro, porque não a implementação de um sistema de ensino baseado nos principios da Khan Academy? Fiquei fã da simplicidade do conceito e nas mais-valias que trazem a alunos com maiores dificuldades de aprendizagem.
Vejam o video que vale muito a pena: http://www.youtube.com/watch?v=zxJgPHM5NYI
Continua...
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