| "Chico-esperto Indivíduo que procura o beneficio ou a vantagem pessoal, mesmo que para tal prejudique alguém." Esta definição vem num qualquer dicionário de lingua portuguesa, mas peca por escassa. Antes demais é necessário perceber que este tipo de comportamento leva tempo a ser construido, pois as bases da sociedade actual que nos são transmitidas pelos nossos pais e pela escola, são contrárias a estas atitudes. A questão que se coloca inicialmente é: o que leva uma pessoa a tornar-se "chica-esperta"? Por norma o "chico-esperto" é alguém inseguro, que intermitentemente põe em causa as suas próprias capacidades, mas tem uma capacidade imaginativa de atenuar esse facto com simples subterfugios (traduzindo: "Senão consigo atingir aquele patamar por mérito, tenho de pensar noutra via para o fazer. Uma via rápida e simples."). É preciso lembrar que o povo português sempre foi conhecido por ser desenrascado. E lá fora, principalmente em sectores como a Engenharia, o "desenrascanço" acaba por ser visto como um "musculo mental" que permite à pessoa resolver qualquer situação. No entanto, o "desenrascanço" anda de braço dado com o "chico-espertimo". Ora vejamos este pequeno exemplo: Nos anos 60/70, ter alguma escolaridade abria portas para o futuro. Nos anos 80/90, ter chegado até à faculdade era um feito grandioso, abrindo um vasto leque de oportunidades para as "dezenas" de licenciados que este pais tinha. Hoje em dia, que não tem um mestrado não é nada (segundo os Empregadores claro...Tenho uma opinião diferente que fica para outra crónica). Logo um individuo normal passa em média 18 anos da sua vida a estudar. 18 anos. É obra. São 6570 dias a adquirir conhecimento de forma avulsa, com o intuito de chegar ao fim da linha e ter um emprego digno, interessante e com perspectivas futuras... Reality check: Alguns, passados 15 anos, saem directos da sala de aula para a cozinha do MacDonalds. E então começam as questões: "Porque andei eu a estudar anos e anos quando agora não tenho oportunidades? Como é que posso olhar para o tecido politico deste pais e ver ministros com licenciaturas facilitadas e eu esfolei-me todo para tirar um misero 12 a Matemática?". Quando começam as questões começa o problema. Porque até este momento o individuo é justo e acredita numa sociedade que promove o mérito e recompensa os esforçados. Até surgirem os exemplos "negros" deste pais que tiram qualquer credibilidade a este tipo de sociedade. É nesta fase que o individuo tem duas hipóteses: dedica o resto da sua vida em esforço constante, a remar contra a maré e sempre tentando definir uma sociedade melhor ou.... junta-se a "eles". E o "junta-se a eles" pode ser um ingresso numa JSD ou JS, uma troca de favores com o Vereador mais próximo, o ir para a cama com o Administrador - chamem-lhe o que quiserem. A partir desta altura o individuo abdica dos valores morais que adquiriu na escola e em casa e partilha a deplorável vivência daqueles que o rodeiam. E quando um individuo entra neste esquema abdica de outra coisa também: capacidade de aprendizagem. Neste momento, toda a evolução social/profissional decorre sem sobressaltos e sem necessidade de investir tempo em novos conhecimentos. O individuo estagna. Estagna até ao dia em que transitar para outra nível social, como consequência de um favor politico ou económico. Estagna até estar a insistir na mesma politica/filosofia de vida e não perceber onde ela falha. Estagna, até não poder mais. E como nós sabemos, quando perdemos a capacidade de aprender, perdemos o estimulo pra melhorar. E sabem o que mete mais nojo? Não é aquele que é chico-esperto há muitos anos e que anda a causar prejuízo aos outros. São os wannabies do "chico-espertismo". São aquela pequena corja, que nem criatividade mental tem para ser "chica-esperta", mas que rasteja pelo chão na esperança de um "chico-esperto" de topo tropece neles. Esses são o nivel mais baixo da podridão da nossa sociedade. São os falsos moralistas que dão a cara para criticar esses comportamentos, mas que lá no fundo só esperam uma oportunidade para entrar no circulo secreto. Por norma, estes ficaram-se pela Licenciatura do "Chico-Espertimo", não tiraram Mestrado. Normalmente não sobrevivem muito tempo neste mundo da troca de favores e acabam por ser descobertos com relativa facilidade. E não há nada mais triste do que ver um incompetente, com conhecimento estagnado, a tentar recuperar a sua posição social/profissional por via do mérito (essa palavra que ouvem pela primeira vez). A sério, parece uma criança a tentar pôr-se de pé, pela primeira vez. Se virmos isto de um prisma meramente politico, os problemas estão nas camadas jovens dos partidos e nas respectivas intimidades com as universidades. É ai que devemos reflectir se o nosso ensino universitário não estará a dar uma disciplina comum a todos: Introdução ao Poder. Todas, mas mesmo todas as situações depesistas que vemos hoje em dia em Portugal dizem respeito a um favor pago a alguém. Do estilo: "Eu financiei a tua carreira até seres Primeiro-Ministro e agora tu dás-me uma parceria Publico-Privada". Sempre foi assim. Mas não deve continuar a ser. Temos de começar a cultivar a mentalidade nos mais novos que este comportamento "chico-espertista" não leva a lado nenhum... É uma questão matemática - com "chico-espertismo" geramos 10 oportunidades de uma carreira fantástica. Com pessoas sérias e governos bem estruturados, geramos 100. E não tentem mudar o mundo de uma só vez. Comecem a trabalhar os "pequenos" comportamentos.
Portanto meus Amigos, assimilem bem os conceitos de uma Meritocracia e vão ver que o Nosso pais será bem melhor! |
"First they ignore you, then they laugh at you, then they fight you, then you win." -Ghandi
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Chico-Espertismo
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