Já o disse e volto a repetir: este não é o caminho. Os últimos governos trataram a pasta da Educação como um acto experimentalista, tentando ao máximo dificultar a aprendizagem neste pais - que continua com as maiores taxas de analfabetismo da Europa.
Dificilmente algum ministro da educação poderá justificar as medidas apresentadas para os exames de 12º como um estimulo à educação. Como já disse anteriormente, este tipo de medidas apenas estimula a capacidade dos alunos em decorar e não em aprender. Do meu ponto de vista, temos três factores que ajudam de sobremaneira ao aumento do buraco negro em que caiu o ensino neste pais:
1º) Cada vez mais o mundo universitário vive da promiscuidade com as camadas jovens dos partidos, levando a que a "lei do mais forte" recaia não no mérito, mas na capacidade de ter uma rede de contactos alargada.
2º) Os nosso liceus e universidades estão povoados por individuos que apesar de possuírem um conhecimento vasto na sua área, pouco ou nada têm de capacidade pedagógica. São os chamados "Professores piloto-automático" - sem capacidade de estimular o aluno nem definir uma abordagem pedagógica adaptada as necessidades de cada pessoa. Ou então temos aqueles que provêm de anteriores governos e conseguiram a cunha ideal, na faculdade ideal. Estes são os chamados "Professores Marcelo" - tudo há base do bitaite management e se alguém quiser saber a matéria leccionada, que leia o livro XPTO ou vá ao Google.
3º) Temos a completa desorganização de conteúdos leccionados e demasiado extensos para o tempo disponível. Quando isto acontece, aparecem os "Professores foguete", que levam uma vida desafogada o ano inteiro e a um mês dos exames põem o pé a fundo no acelerador para conseguir dar os últimos dois manuais, que simpáticamente, só têm 300 páginas cada um.
Para além de todos estes factores, tivemos mais um brinde: os próximos exames do 12º serão com toda a matéria dada ao longo do 10º, 11º e 12º. Se eu fosse um aluno finalista pensaria que seria mais fácil decorar as Páginas Amarelas... Ou todo o processo Casa Pia, dependendo do estado de espirito.
Estas medidas apenas pretendem criar uma sociedade mais "baixa" do que "média", desvalorizando o ensino e futuramente desvalorizando os salários, pois uma boa fatia destes alunos não conseguirá sobreviver ao 12º, não chegará à faculdade e dificilmente terá emprego qualificado. Assim teremos mais espaço para quem tira cursos ao Domingo, ou licenciaturas originadas por resmas de equivalências. Não me admiro que no próximo ano, no exame nacional de Matemática, irá sair a matéria toda desde a primária...
